Home ] 1ª versão ] 2ª versão ] 3ª versão ] [ 4ª versão ] Legend of Caparica ]

Centro de Artes Orientais www.cao.pt


Lenda da Caparica

(4ª versão)

 

Em tempos longínquos toda a extensão do litoral a sul do rio Tejo era praticamente deserta, existindo apenas pequenos casais e habitações isoladas, onde pontuavam dois povoados com algum significado: um, localizado no interior, designado como o "Monte", e outro junto ao mar, conhecido como a "Costa".

No povoado interior exerciam-se actividades ligadas à agricultura, à produção de vinho e à exploração dos recursos provenientes dos vastos pinheirais adjacentes; no litoral, a actividade predominante focava-se nas artes da pesca.

De acordo com a tradição oral transmitida de geração para geração, em tempos idos viveu na área interior uma mulher de idade bastante avançada, sem que se lhe conhecesse qualquer família nem a sua proveniência.

Esta mulher habitava num velho casebre, afastada da restante população da zona, a qual também não registava qualquer memória do seu aparecimento, dos motivos que ali a levaram a residir ou mesmo do que se alimentava, pois não se lhe conhecia qualquer rendimento ou ofício, nem nunca foi vista a adquirir géneros alimentares ou de outra espécie.

Esta mulher fazia diariamente enormes caminhadas entre os diversos pontos da área, permanentemente envolvida por uma longa capa que encobria totalmente o seu corpo, desconhecendo-se qualquer detalhe da sua figura física. Para adensar a aura de mistério em seu redor muito contribuiu o seu ar estranho, a ausência de laços de amizade e as mais que raras palavras proferidas, gerando o rumor de que tal personagem devotava as suas acções à bruxaria e à prática de bizarros ritos.

Durante a Primavera as suas ausências prolongavam-se e as crianças afirmavam que o interior da sua capa escondia uma vasta riqueza em moedas de ouro, dizendo-se que a sua capa era rica, uma
capa-rica.

Entre os finais de Março e o princípio de Abril de um ano que a memória não recorda desses tempos idos, a velha mulher, ao sentir que os seus dias terminavam, deu a conhecer o desejo de que a capa que sempre a envolvia fosse entregue ao Rei de Portugal, para que este a utilizasse da melhor maneira possível para beneficiar a população. Tal aconteceu poucos dias depois, aquando da sua morte, pois a população depressa satisfez o seu pedido com base na sua reputação de feiticeira. Quando o Rei de Portugal verificou o interior de tal capa, o seu espanto foi total ao constatar que esta estava completamente recheada com douradas flores de acácia, flores essas colhidas no vasto acacial que ainda hoje existe na zona litoral situada entre a Trafaria e a Fonte da Telha.

Profundamente emocionado com tamanha sensibilidade demonstrada pela velha mulher que tantas agruras passou em vida, o Rei de Portugal proclamou a riqueza daquela capa única, uma capa-rica, surgindo daí o topónimo de Caparica. O Rei de Portugal ordenou igualmente que se compensasse a população com a edificação de uma igreja, a Igreja de Nossa Senhora do Monte, atribuindo a toda a área a designação de Caparica.

© Câmara Municipal de Almada www.m-almada.pt

 

Up ] 1ª versão ] 2ª versão ] 3ª versão ] 4ª versão ] Legend of Caparica ]


WebDesign: José Patrão (Geral); Nuno Barradas & Manuela de Castro (Mon website).  Logo: Jorge Costa. Permanent Team: Nuno Figueiras Santos, José Morgado, Raul Pereira, João Geada.

©Copyright: Centro de Artes Orientais, 1997 - 2011